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"Pois assim é a mente humana: sedenta por transformação, sim, mas, acima de tudo, com fome de informação. Por isso era possível ter certeza que o ser humano nunca poderia abandonar o livro enquanto objeto. Pois obviamente a ideia do livro vem de antes dele e continua ao além é aquele fio de mel das memórias mas o livro enquanto objeto como hoje conhecemos e tocamos com a mão da alma é novamente um meio para alcançar a vida, e precisa ser além de um fim em si mesmo."

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"São os aplicativos portais para algo especifico (ou brevemente delineado), e o primeiro passo rumo aos portais artificiais, ao meta-verso: o universo, ou melhor, a cosmogonia, como efeito da coisa criada e não do ato criador. Existem aplicativos para o acesso à alimentação, transporte, sexo, saúde, trabalho, cultura enfim todo tipo de serviço para atender as necessidades da grande máquina desejante: Nós. E de uma maneira pragmática, eficiente, quase imperceptível. Igual escrever na tela. De um jeito que a coisa se resolva “da maneira mais rápida e lucrativa para todos” (menos para o trabalhador, óbvio). E já haviam mercados onde se pagava no próprio carrinho e aceitavam até bitcoins e seus porta vozes diziam: “Nós queremos que o cliente chegue com pressa e saia com tempo.”. Ou seja, até pra ir no mercado, é preciso ser produtivo. E Livreire já imaginava que o próximo passo era esse espírito, essa lógica, esse ethos, dentro do mundo da inteligência artificial, da relação com as máquinas e tecnologias algorítmicas superiores."

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"Era preciso, em suma, estar atente e forte, pois a pandemia reforçara enormemente no espírito das pessoas a noção de que não só os celulares e tecnologias comunicativas eram úteis e facilitavam a vida, mas de que eram necessários para a vida. A tecnologia enquanto germe de novas necessidades humanas é a inversão do sentido da ferramenta, da corrente, do fluxo, da rede de dados ou das cores-instrumentos do mundo. E, no entanto, estava a acontecer, na alma, na mente e na memória do corpo da grande maioria da população. Pois já se ouvia falar de crianças que aprendiam a mexer no celular antes de começar a falar, e de crianças que não sabiam falar ou se relacionar no mundo real, mas que eram peritas nas relações que ocorriam dentro da realidade digital. E as grandes empresas de tecnologia investiam bilhões em pesquisas sobre a integração da nuvem digital diretamente no corpo humano, para que se perca a noção de objeto carregado e prevaleça a de parte do sistema circulatório."

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Mas mesmo que seja, é o que o Zizu falou, quem de nós tá com tempo sobrando pra discutir isso em todas suas camadas? Publicar digitalmente já resolve o problema da produção e facilita a circulação. Quem tem tempo de fazer livros artesanais hoje em dia?”, “Mas aí é que tá”, disse animade o livreiro, que estivera muito atenta à toda a conversa anterior, “na minha visão nosso projeto gráfico tem que refletir também criticamente a questão do tempo. Hoje em dia tudo tem que ser feito com pressa. Tudo é feito em série, aos milhares. Pensar e fazer uma editora artesanal no sistema capitalista pode ser revolucionário se levarmos a fundo a noção da integralidade do processo de produção artesanal do livro."

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"...vemos uma superfície somente em conexão com outra, em comparação com outra. Uma hiperfícielink dentro de uma rede de hiperfícies fundada na aritmética dos datanódulos. Essa é uma maneira, apesar de sensata, superficial, de encarar o assunto. Para além dessa dicotomia entre a vida em tela e a vida na terra devemos isso sim cavar hiperlinks das frinchas do asfalto e das rachaduras do coração, linkagens vivas que mesclarão nossas hiperfícies, interpenetrando-se enquanto enlaces cantos cores em superfícies profundas de registro, no peito de seres que absorvem o mundo e mastigam com a boca de todas suas faces, com abertura. E se integram ao link, ao elo essencial, em todas suas facetas conectivas, ao nexus e ao plexo da coletividade, ou, como muito se tem dito, do bem-viver. Hiperfícielinkando a realidade entende-se a Ecologia. Como os nervos de uma folha e o desenho da mão humana, as nervuras que os dados deixam como rastro no universo são ainda inconcebíveis, e talvez inalcançáveis."

 

por Pedro Torres Busch, editor e livreiro desde 2019. Publicou Amarelo (2021) pela Editora Maracaxá e Haikaindo em Folha (2022) pela Casa Ocre Edições. Editor da revista de ciência Mangue Sciêntífico e da revista de arte e tradução Transgressoar.

Livreire: reflexões de um livreiro artesanal na era da reprodução digital

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